terça-feira, 23 de abril de 2013

Feliz Aniversário - Clarice Lispector

Imagem retirada do site: Uol
        Feliz aniversário, é um conto de Clarice Lispector que está incluso na obra Laços de família, lançado em 1960.
            Em Feliz aniversário, a infelicidade está escondida atrás da “felicidade da festa de aniversário” de D. Anita, uma senhora que completa oitenta e nove anos.
Zilda, a filha com quem a aniversariante mora, organiza a casa para receber a família. Aos poucos, os convidados vão chegando: os filhos, as noras, os netos. Estão quase todos os parentes ali, apenas por obrigação. 
            Zilda é uma personagem que se sente no dever de realizar uma festa de aniversário para sua mãe, então arruma a casa, ocupa-se com os preparativos e convida os familiares para a comemoração.  É possível perceber que Zilda se sente um tanto revoltada por ser a única responsável por organizar tudo aquilo. 
            Não apenas a dona da casa, mas todos os parentes estão apenas "cumprindo sua tarefa", sem vontade nenhuma de estar ali. 
            Ela tenta manter a impressão que ainda há algum laço familiar entre os indivíduos presentes na festa de sua mãe. 
D. Anita, nada ingênua, percebe tal fato e fica decepcionada com seus familiares. Ela consegue perceber qual papel cada um está representando ali: alguns tentando ter um falso envolvimento com os outros, e que todos estão ali por obrigação.
            Mesmo com todas as manifestações de carinho, admiração, afeto que recebe, a velha se conserva seu silêncio. Vista de fora, é só uma velha feliz, ainda inteira, cercada dos descendentes queridos que celebram mais um ano de sua vida.
Mas por dentro, D. Anita despreza os seres infelizes e falsos que gerou. Pessoas que fingem a felicidade, enquanto sofrem por dentro sem nem mesmo perceber que isso está acontecendo. Pessoas que não sabem lidar com os próprios sentimentos e que não suportam os pensamentos.
            Através do narrador, é possível observar a decepção e angústia de D. Anita por meio de seus pensamentos, onde estão os julgamentos negativos referentes aos membros de sua família, durante a festa.
O ato de cuspir no chão, é a figura que manifesta o fato de os laços familiares não se sustentarem mais. Com essa atitude, por outro lado, a senhora provoca a raiva da filha Zilda, que teme a reprovação dos irmãos. 

            As reações violentas da aniversariante interrompem antecipadamente a festa. O ritual ainda se estende um pouco mais, os familiares se esforçam para sustentar uma felicidade que já foi denunciada como falsa. Os filhos, que quase nunca se viam ou se falavam, apressam-se nas despedidas. 
            Cantam os parabéns, “festejam” logo em seguida se despedem e vão embora. Percebe-se, então, que a festa de aniversário foi apenas feita de aparências e relações falsas. 


Atividade proposta pela professora Ilvanita, de Língua Portuguesa, que nos orientou a leitura deste conto, entre outros, para nos aprofundarmos nos contos psicológicos, gênero estudado em sala de aula.

Felicidade Clandestina - Clarice Lispector

Imagem retirada do site: Vendaval das Letras
        Nesse conto de Clarice Lispector, é retratada a história de uma  humilde menina apaixonada pela leitura. 
        Uma de suas colegas da escola era filha de um dono de livraria. Essa, diferente das outras já era mais encorpada, com busto, enquanto as outras ainda eram "achatadinhas". Para sua infelicidade e de todas as suas amigas também apaixonadas pela leitura, a filha do dono da livraria era totalmente malvada e um tanto egoísta. 
        Certo dia prometeu para a menina que iria lhe emprestar o livro "As reinações de Narizinho", obra de Monteiro Lobato, e que ela só deveria passar em sua casa para apanhá-lo no dia seguinte. Cheia de esperanças, assim a garota fez, mas chegando lá, sua alegria acabou. A menina egoísta disse que já havia emprestado o livro, e que ela deveria voltar no dia seguinte. Assim ela fez, por muitos dias seguintes até que, por estranhar a visita calada daquela menina estranha em sua porta todos os dias, a esposa do dono da livraria, mãe da menina egoísta perguntou ás duas o que estava acontecendo. 
        Quando a mulher entendeu o que se passava ali, explicou que o livro nunca havia saído daquela casa e que sua filha sequer o tinha lido. Disse a menina apaixonada por livros que poderia levá-lo e ficar com ele o tempo que quisesse. 
        A alegria da garota foi imensa e indescritível, ficou contemplando o livro por horas e horas, fingindo não o ter em suas mãos para depois olhá-lo e ficar feliz por tê-lo ali tão perto, em outras palavras "Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante”.

Atividade proposta pela professora Ilvanita, de Língua Portuguesa, que nos orientou a leitura deste conto, entre outros, para nos aprofundarmos nos contos psicológicos, gênero estudado em sala de aula.

Amor - Clarice Lispector

          Ana era uma dona de casa preocupada com os seus afazeres e organizada em suas tarefas. Tinha uma casa boa, com marido e filhos.

          Certo dia, foi fazer as comprar para o preparo do jantar, e já voltando para sua casa, dentro de um bonde, foi surpreendida por um deficiente visual que mascava chiclete. Esse fato, a despertou para novas emoções e sentimentos.

           O fato do homem mascar o chiclete na escuridão, com aquela naturalidade incomodava Ana, pois apesar da dificuldade que aquele desconhecido enfrentava, ele aparentava ser feliz. E isso a aborrecia, porque a fez pensar na felicidade que não fazia mais parte de sua vida monótona, como ela mesma disse: "também sem a felicidade, se vivia".

          Tomada por pensamentos Ana não percebe que o bonde dera partida, deixando cair o pesado saco de tricô que carregava. Sua reação imediata foi dar um belo de um grito, expressando tudo o que estava sentindo. A rede de tricô desprendeu-se de sua mão, fazendo com que os ovos caíssem e se quebrassem. Ana ficou totalmente desconfortável com aquela situação, porque além de tudo, a queda causou uma certa desorganização.

          Todos os passageiros do bonde ficaram a observar Ana após a queda de sua bolsa e seu grito. Ana consegue entender que a situação do cego a fez refletir sobre o mundo e o seu particular, entrando em um conflito íntimo, levando-a á uma reflexão extrema.

          A distração foi tão grande que Ana passou de seu ponto de chegada, descendo dessa forma em um ponto no Jardim Botânico. Ficou a tarde inteira observando o local, a paisagem em geral e seus detalhes. Em certo momento lembrou da sua família e do jantar, isso a fez correr de volta para sua casa.

          Ao chegar em casa, Ana já não era mais a mesma. Parecia que seu amor pelos filhos, marido e até a própria casa estava maior. Jantaram com seus amigos e com as crianças. 

          Naquele momento Ana precisava de amor e carinho, encontrando isso nos braços de seu marido. Que pode afastar dela o medo de viver.


Atividade proposta pela professora Ilvanita, de Língua Portuguesa, que nos orientou a leitura deste conto, entre outros, para nos aprofundarmos nos contos psicológicos, gênero estudado em sala de aula.

Clarice Lispector - biografia

Foto retirada do blog: Vidas Lusofonas
        Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik na Ucrânia, e entre várias supostas a data adotada para o seu nascimento foi o dia 10 de dezembro de 1920. 
        Sua família veio para o Brasil em março de 1922, para a cidade de Maceió, Alagoas, onde morava Zaina, irmã de sua mãe. Em 1925 mudaram-se para a cidade de Recife, onde Clarice passou sua infância. 
        Aprendeu a ler e escrever muito nova e com nove anos ficou órfã de mãe. No ano de 1937 foi com a família para o Rio de Janeiro, indo morar no Bairro da Tijuca. 
        Em 1943 se formou em Direito e casou-se com seu colega de turma, Maury Gurgel Valente. Nesse mesmo ano estreou na literatura com o romance "Perto do Coração Selvagem". 
        Depois de seu casamento com um Diplomata, morou na Inglaterra, Estados Unidos e Suíça, sempre o acompanhando. 
        Em 1948, deu luz ao seu primeiro filho, Pedro e em 1953, nasce nos Estados Unidos seu segundo filho, Paulo. 
        Em 1959, Clarice se separou de seu marido e retornou ao Rio de Janeiro, com os filhos. Logo começou a trabalhar no Jornal Correio da Manhã, assumindo a coluna Correio Feminino. Em 1960 lança "Laços de Família", seu primeiro livro de contos. 
        Em 1966, graças ao descuido de dormir com um cigarro aceso, Clarice sofre várias queimaduras. Graças a isso, passou por várias cirurgias, e mesmo isolando-se de certa forma, sempre escrevendo. 
        Algumas das suas obras mais famosas são: "Laços de Família", "A Legião Estrangeira" e "Felicidade Clandestina". 
        Clarice Lispector morreu no ano de 1977, de câncer no ovário e foi enterrada no cemitério Israelita do Caju. Misteriosa e ousada, e sem dúvidas talentosa, essa foi Clarice. 


Atividade proposta pela professora Ilvanita, de Língua Portuguesa, que nos orientou a pesquisar e elaborar uma síntese da biografia de Clarice Lispector.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Entrevista com Clarice Lispector


   


        Essa é a entrevista concedida por Clarice Lispector, à mesma da qual assistimos um trecho em sala de aula. A entrevista foi concedida à TV Cultura no ano de 1977, mesmo ano da morte da autora.

        Clarice Lispector contou um pouco sobre o seu jeito de ver a arte de escrever, sendo sempre monossilábica e não estendendo muito o assunto. Ela sempre achou mais fácil escrever para crianças do que para adultos e dizia que criança é mais inocente, já os adultos são mais difíceis de se entender, apesar de serem mais parecidos com ela.    Clarice contou um pouco sobre o seu jeito de ver a arte de escrever, sendo sempre monossilábica e não estendendo muito o assunto. E apesar de sua fama, Clarice não se considerava a literatura como sua profissão, pois só escrevia quando sentia vontade. Dizia que escrevia para se livrar de si, e que de certa forma, morria ao escrever.
        A entrevista se torna mais intensa a cada expressão da autora que além de um sotaque diferente, possuía um jeito curioso de pensar, até mesmo de suas próprias obras. Como quando revela que uma de suas obras preferidas era um mistério até para ela mesma. Possuía também uma beleza, que era perceptível mesmo estando adoentada, cansada e triste como ela afirmou estar.

        Por fim, a entrevista falou um pouco mais sobre a autora Clarice Lispector, que era única e capaz de ser tímida e ousada. Capaz de possuir vários sotaques e mesmo assim ser tão brasileira, e era assim que Clarice se via “brasileira e ponto final”. Com um jeito tão discreto e ao mesmo tempo tão intenso, que faz com que o leitor sinta-se compreendido por alguém e outras vezes com a carência do entendimento, essa foi Clarice Lispector.


Atividade proposta pela professora Ilvanita, de Língua Portuguesa, que após passar trecho do vídeo em sala de aula solicitou uma síntese sobre o mesmo.