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| Imagem retirada do site: Uol |
Feliz aniversário, é um conto
de Clarice Lispector que está incluso na obra Laços de família, lançado em 1960.
Em Feliz aniversário, a infelicidade está escondida
atrás da “felicidade da festa de aniversário” de D. Anita, uma senhora que
completa oitenta e nove anos.
Zilda, a filha com
quem a aniversariante mora, organiza a casa para receber a família. Aos poucos,
os convidados vão chegando: os filhos, as noras, os netos. Estão quase todos os
parentes ali, apenas por obrigação.
Zilda é uma personagem que se sente no dever de
realizar uma festa de aniversário para sua mãe, então arruma a casa, ocupa-se
com os preparativos e convida os familiares para a comemoração. É possível perceber que Zilda se sente um
tanto revoltada por ser a única responsável por organizar tudo aquilo.
Não apenas a dona da casa, mas todos os parentes
estão apenas "cumprindo sua tarefa", sem vontade nenhuma de estar
ali.
Ela tenta manter a impressão que ainda há algum
laço familiar entre os indivíduos presentes na festa de sua mãe.
D. Anita, nada
ingênua, percebe tal fato e fica decepcionada com seus familiares. Ela consegue
perceber qual papel cada um está representando ali: alguns tentando ter um
falso envolvimento com os outros, e que todos estão ali por obrigação.
Mesmo com todas as manifestações de carinho,
admiração, afeto que recebe, a velha se conserva seu silêncio. Vista de fora, é
só uma velha feliz, ainda inteira, cercada dos descendentes queridos que
celebram mais um ano de sua vida.
Mas por dentro, D.
Anita despreza os seres infelizes e falsos que gerou. Pessoas que fingem a
felicidade, enquanto sofrem por dentro sem nem mesmo perceber que isso está
acontecendo. Pessoas que não sabem lidar com os próprios sentimentos e que não
suportam os pensamentos.
Através do narrador, é possível observar a
decepção e angústia de D. Anita por meio de seus pensamentos, onde estão os
julgamentos negativos referentes aos membros de sua família, durante a festa.
O ato de cuspir no
chão, é a figura que manifesta o fato de os laços familiares não se sustentarem
mais. Com essa atitude, por outro lado, a senhora provoca a raiva da filha
Zilda, que teme a reprovação dos irmãos.
As reações violentas da aniversariante interrompem
antecipadamente a festa. O ritual ainda se estende um pouco mais, os familiares
se esforçam para sustentar uma felicidade que já foi denunciada como falsa. Os
filhos, que quase nunca se viam ou se falavam, apressam-se nas despedidas.
Cantam os parabéns, “festejam” logo em seguida se despedem
e vão embora. Percebe-se, então, que a festa de aniversário foi apenas feita de
aparências e relações falsas.


