O conto "O noivo" é repleto de mistério e dúvidas. Um advogado de quarenta anos em uma quinta-feira qualquer pela manhã é acordado por sua empregada e recebe uma notícia "Sr. Miguel, o casamento é hoje". "Não tenho casamento nenhum hoje" repetia Miguel em dúvidas.
O que se passava ali? De onde surgira uma bela roupa para que usasse e uma mala pronta para passar uma temporada na praia? E a maior questão a ser respondida "quem estava prestes a se casar?", pensar em um amigo até explicaria o belo traje deixado em seu quarto, mas e a mala? Por um instante tudo fez sentido...o noivo era ele!
Mas como era possível ele não se lembrar de sua própria noiva? A memória de Miguel estava funcionando perfeitamente bem, assim como se lembrava de sua infância e da casa de seu avô, um belo casarão cor-de-rosa com um pé de jasmins no quintal. As lembranças continuavam acessas dentro de si e até o perfume das jasmins era possível sentir. Da mesma forma que dentro de Miguel corriam lembranças pairava o vago esquecimento de tudo que fosse relacionado a seu casamento.
Ele pensou em perguntar a sua empregada, porém seria loucura então dentro de si buscava possibilidades...Talvez a noiva fosse sua amante Naná, Amanda, Regina, Cecília ou quem sabe Jô? Um caso que se arrastava por quatro anos, porém alguém lhe dissera que ela estava com um diplomata. Mas afinal, quem seria a misteriosa noiva?
Enfim chegou a hora, Miguel se sentia em um jogo sem parceiro. Afinal assim ele estava, com ele apenas havia sua dúvida. Passado-se os minutos chegou a noiva, ao tirar o véu de seu rosto e vê-la pensou "como pude pensar em tantas menos nela?" e inclinou-se para beijá-la. E chega o fim do conto reinando o mistério.
Ao meu ver a noiva era um amor impossível e ele jamais imaginasse levá-la ao altar. Mas quem sabe o destino houvesse traçado a história dos dois? Afinal, quando é amor, quando é pra ser, não há nada que impeça...acontecerá!
![]() |
| Lygia Fagundes Telles. Retirada do site: Revista Lusofonia. |

0 comentários:
Postar um comentário